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Episódio 3 · O Filho Pródigo

Capítulo 9: O Pai Corre

Chapter 9: O Pai Corre

Todas as manhãs, durante meses, o pai havia caminhado até o portão.

Chuva ou sol. Calor ou frio. Antes que o sol nascesse por completo, ficava de pé onde a estrada começava, com os olhos fixos no horizonte. O filho mais velho se recusava a falar disso.

Mas todos os dias, sem falta, o velho voltava ao seu posto.

Esta manhã não foi diferente. Estava de pé com uma mão no portão de madeira, a outra protegendo os olhos da luz da manhã. Seus lábios moviam-se na mesma oração que ele havia sussurrado todos os dias desde que seu filho partiu.

Traga-o de volta. Por favor. Traga-o de volta.

E então o viu.

Uma figura ao longe. Mancando. Esfarrapada. Tão magra que parecia um fantasma.

A respiração do pai parou. Sua mão apertou o portão até que seus nós dos dedos ficaram brancos. Apertou os olhos contra a luz, com medo de acreditar, com medo de ter esperança.

Mas conhecia aquele andar. Mesmo quebrado, mesmo mal se mantendo de pé, conhecia seu filho.

Algo explodiu dentro do seu peito. Não raiva. Não julgamento. Apenas amor, feroz e selvagem.

E o pai fez o que nenhum homem digno jamais faria.

Correu.

Um velho disparando pela estrada como uma criança, braços abertos, lágrimas já escorrendo pelo rosto. Servos pararam e olharam. Não era assim que os anciãos se comportavam.

Mas o amor nunca se importou com a dignidade.

O filho ergueu o olhar e o viu vindo. Ficou paralisado. O medo invadiu seu rosto.

Ele está correndo para me bater. Para me amaldiçoar. Para me mandar embora.

Preparou-se para o golpe.

Ele nunca veio.

O pai o alcançou e o envolveu em seus braços, seu filho imundo, com cheiro de porco. Apertou-o tão forte que podia sentir os ossos sob a pele. Enterrou o rosto no pescoço do filho e chorou, da mesma forma que havia chorado sozinho em seu quarto todos aqueles meses atrás, mas mais alto agora, sem vergonha.

O filho ficou rígido, incapaz de se mover. Então suas pernas cederam. Desabou nos braços do pai, trêmulo.

FILHO MAIS NOVOPai, pequei contra o céu e perante ti; já não sou digno de ser chamado teu filho.Lucas 15:21
PAITrazei depressa a melhor roupa, e vesti-lho, e ponde-lhe um anel na mão e sandálias nos pés; e trazei o bezerro cevado e matai-o; comamos e regozijemo-nos.Lucas 15:22-23

O filho tentou falar novamente, mas nenhuma palavra saiu. O discurso que havia ensaiado por dias se dissolveu como névoa.

O pai segurou o rosto do filho com ambas as mãos.

PAIPorque este meu filho estava morto e reviveu, tinha-se perdido e foi encontrado.Lucas 15:24

O filho mais novo se quebrou. As paredes desmoronaram. E pela primeira vez desde que havia partido de casa, chorou nos braços de seu pai, não de vergonha, não de medo, mas do peso insuportável de ser amado quando não merecia nada.

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