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Episódio 3 · O Filho Pródigo

Capítulo 10: Vivo de Novo

Chapter 10: Vivo de Novo

Os servos trouxeram bacias de água morna.

Ajoelharam-se diante do filho e lavaram seus pés, rachados, sangrando, encrostados com a poeira de cem milhas. Lavaram suas mãos, seus braços, seu rosto. A imundície do chiqueiro escorreu, marrom e enlameada, levando consigo a vergonha de tudo o que havia feito.

Ele ficou imóvel, deixando-os trabalhar. Lágrimas escorreram por suas faces limpas.

Quando terminaram, seu pai pegou sua mão e o conduziu para dentro, passando pelo pátio, pelo corredor familiar, até uma porta que ele não via há o que parecia uma vida inteira.

Seu antigo quarto.

Tudo estava exatamente como ele havia deixado. Seu cobertor de infância dobrado na cama. Um brinquedo de madeira que seu pai havia esculpido para ele. A pequena pedra do campo que ele costumava carregar no bolso.

FILHO MAIS NOVOO senhor guardou tudo.
PAIEu nunca deixei de acreditar que você voltaria para casa.

O filho cobriu o rosto e chorou.

Naquela noite, o pátio transbordava de música e risos. Tochas tremulavam contra o céu noturno. Os vizinhos se reuniram. Os servos dançavam. O cheiro de carne assada enchia o ar.

Mas o filho não ficou ocioso. Movia-se entre os convidados, enchendo taças, servindo pão, da forma que um servo faria. Da forma que havia planejado pedir ao pai para deixá-lo viver.

Um velho servo o parou, confuso.

SERVOJovem senhor, o senhor não precisa fazer isso. O senhor é o convidado de honra.
FILHO MAIS NOVOEu sei. Mas eu quero.

Mais tarde naquela noite, sozinho no terraço, olhou para as estrelas. As mesmas estrelas. O mesmo céu. Mas ele não era o mesmo.

Juntou as mãos e baixou a cabeça.

Pela primeira vez desde que havia partido, orou.

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