Episódio 3 · O Filho Pródigo
Capítulo 7: A Virada
Chapter 7: A Virada
Ele não dormiu naquela noite.
Sentou-se na lama, olhando para as estrelas, enquanto os porcos roncavam ao seu redor. A memória da voz de seu pai não o deixava.
Elas sempre te conduzirão para casa.
Ao amanhecer, ouviu algo que o quebrou.
Um fazendeiro à distância chamava por seu filho. A voz atravessava os campos, calorosa, preocupada, cheia de amor.
VOZ DISTANTE“Filho! Onde você está? Volte para casa!”
O peito do filho mais novo se apertou. Ele não conseguia respirar. Não conseguia se mover. A voz soava tanto como a de seu pai que, por um momento de loucura, ele pensou que era real.
Não era.
Mas o anseio que ela despertou era.
FILHO MAIS NOVO“Quantos jornaleiros de meu pai têm pão com fartura, e eu aqui pereço de fome!”— Lucas 15:17
O pensamento atravessou tudo, a vergonha, o medo, o orgulho que o havia mantido paralisado. Não era apenas lógica. Era desespero. Era o último fio de esperança que lhe restava.
Ele poderia morrer ali. Sozinho. Esquecido. O fazendeiro encontraria seu corpo em uma semana. Seria enterrado em uma cova sem nome, e ninguém o lamentaria.
Ou poderia ir para casa.
Não como filho. Ele havia jogado isso fora. Mas talvez, talvez seu pai o deixasse trabalhar. Dormir com os servos. Ganhar seu pão como qualquer trabalhador contratado.
Era mais do que ele merecia.
Ergueu-se lentamente. Suas pernas tremiam. Seu corpo estava fraco. Mas algo mais havia despertado, fraco, frágil, tremulando.
Esperança.
FILHO MAIS NOVO“Levantar-me-ei e irei ter com meu pai, e dir-lhe-ei: Pai, pequei contra o céu e perante ti; já não sou digno de ser chamado teu filho; faze-me como um dos teus jornaleiros.”— Lucas 15:18-19
Olhou para o leste, em direção a casa, e deu seu primeiro passo.
Depois outro.
Não olhou para trás, para os porcos.