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Episódio 3 · O Filho Pródigo

Capítulo 6: Entre os Porcos

Chapter 6: Entre os Porcos

A fome o expulsou da cidade.

Caminhou de fazenda em fazenda, implorando por trabalho. A maioria o recusava, muitos homens desesperados, poucos empregos. Finalmente, um fazendeiro o examinou com olhos frios.

FAZENDEIROVocê sabe alimentar porcos?

O filho ficou paralisado. Porcos. Animais imundos. Tudo que seu pai havia lhe ensinado, tudo em que seu povo acreditava, dizia que este era o trabalho mais baixo que um homem podia fazer. Um judeu não tocava em porcos. Alimentá-los era se tornar um pária.

Mas seu estômago se contorcia de vazio. Suas mãos tremiam.

FILHO MAIS NOVOSim. Posso alimentar porcos.

O fazendeiro apontou para um chiqueiro lamacento na borda de sua terra, longe da casa.

FAZENDEIRODurma com eles. Alimente-os. Vou mandar restos quando me lembrar.

Ele não se lembrava com frequência.

Os dias se confundiram em semanas. O filho vivia na imundície, dormindo na lama, acordando com o fedor de dejetos e podridão. Moscas cobriam tudo. Os porcos passavam por ele empurrando-o como se ele não existisse.

Suas costelas pressionavam contra a pele. Suas vestes, antes púrpura e carmesim, agora estavam marrons de lama e coisas que ele não sabia nomear.

Uma noite, derramou alfarrobas no cocho e observou os porcos as devorarem. Seu estômago gritou. Sua boca encheu-se de água. Lentamente, ajoelhou-se ao lado do cocho e estendeu a mão para a comida.

Sua mão tremeu sobre a comida.

Vou mesmo comer o que os porcos se recusam a terminar?

Pegou seu reflexo numa poça de água imunda. Olhos fundos. Faces afundadas. Um estranho olhava de volta para ele.

Em que me tornei?

Puxou a mão para trás e sentou-se na lama, joelhos encolhidos no peito. Os porcos grunhiam ao seu redor, alheios à sua existência. Nunca havia se sentido tão sozinho.

Naquela noite, olhou para cima.

As estrelas eram as mesmas. As mesmas que seu pai lhe havia ensinado a contar no terraço, todos aqueles anos atrás. Quase podia ouvir a voz do velho.

Quando você se sentir perdido, olhe para cima. Elas sempre te conduzirão para casa.

Casa.

A palavra atravessou o entorpecimento como uma lâmina. Enterrou o rosto nas mãos imundas e chorou, não pelo que havia perdido, mas pelo que havia jogado fora.

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