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Episódio 2 · A História de José

Capítulo 2: Sangue Sobre o Manto

Chapter 2: Sangue Sobre o Manto

Algum tempo depois, os irmãos de José levaram os rebanhos do pai para pastar perto de Siquém. Os dias passaram sem notícia, e Jacó ficou inquieto.

JACÓVai a teus irmãos e vê se tudo vai bem com eles e com os rebanhos. Depois traze-me notícia.Gênesis 37:14

José obedeceu. Partiu sozinho, vestindo a túnica que seu pai havia lhe dado, a túnica que seus irmãos desprezavam.

A jornada foi longa. Quando José chegou a Siquém, seus irmãos não estavam lá. Um homem o encontrou vagando pelos campos e lhe disse que haviam seguido para Dotã. Então José caminhou mais adiante, sem saber o que o aguardava.

Os irmãos o viram de longe. Aquela túnica, inconfundível contra a poeira e o sol. Eles o observaram se aproximar, e algo sombrio se ergueu entre eles.

"Lá vem o sonhador," um murmurou.

As palavras se espalharam como fogo. Anos de ressentimento, anos vendo o pai derramar sua afeição sobre este único filho, tudo veio à tona. Começaram a falar de assassinato.

"Vamos matá-lo e jogá-lo em uma das covas. Diremos que um animal selvagem o devorou. Então veremos no que darão seus sonhos."

Mas Rúben, o mais velho, não queria sangue em suas mãos. Convenceu-os a lançar José em uma cisterna vazia, esperando voltar mais tarde e tirar o menino em segredo.

Quando José os alcançou, eles o agarraram. Arrancaram a túnica do seu corpo, aquele símbolo de tudo que odiavam, e o jogaram na cova. Estava seca e profunda. José clamou da escuridão, mas seus irmãos se sentaram para comer o pão como se nada tivesse acontecido.

Então uma caravana apareceu no horizonte. Comerciantes ismaelitas, seus camelos carregados com especiarias e bálsamo, em direção ao Egito.

Judá tomou a palavra.

JUDÁQue proveito haverá se matarmos nosso irmão e ocultarmos seu sangue? Vendamo-lo aos ismaelitas. Afinal, é nosso irmão, nossa própria carne.Gênesis 37:26-27

Os outros concordaram. Tiraram José da cova, trêmulo, desesperado, suplicando, e o venderam por vinte moedas de prata. Os comerciantes o levaram e seguiram para o sul. José desapareceu na poeira da estrada, rumo a uma terra que nunca havia visto.

Agora veio a mentira.

Os irmãos abateram um cabrito e mergulharam a túnica de José no seu sangue. Levaram-na de volta ao pai e a colocaram diante dele.

"Encontramos isto. Examina. É a túnica do teu filho, ou não?"

Jacó a reconheceu de imediato. A cor desapareceu do seu rosto. Ele rasgou suas vestes e chorou.

"É a túnica do meu filho. Um animal feroz o devorou. José foi sem dúvida feito em pedaços."

Ele lamentou por muitos dias. Seus filhos e filhas tentaram consolá-lo, mas ele recusava ser consolado.

"Descerei à sepultura chorando o meu filho," disse ele.

E no Egito, José foi vendido novamente, desta vez a um homem chamado Potifar, capitão da guarda de Faraó.

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