Episódio 3 · O Filho Pródigo
Capítulo 2: O Pedido Impensável
Chapter 2: O Pedido Impensável
Um pedido impensável veio três dias depois.
O pai estava sentado no pátio, remendando uma rede de pesca como havia feito mil vezes antes. A manhã estava silenciosa. Comum. O filho mais velho trabalhava nos campos distantes. Os pássaros cantavam nas oliveiras.
A sombra do filho mais novo caiu sobre as pedras.
FILHO MAIS NOVO“Pai. Preciso falar com o senhor.”
O pai ergueu o olhar e sorriu. Mas algo na voz do filho fez o sorriso desaparecer.
FILHO MAIS NOVO“Pai, dá-me a parte dos bens que me cabe.”— Lucas 15:12
As mãos do pai pararam de se mover. A rede escorregou de seus dedos.
A herança era dada quando um pai morria. Pedi-la agora, enquanto o pai ainda respirava, era dizer algo que nenhum filho jamais deveria dizer. Eu queria que o senhor já tivesse partido. Não posso esperar que o senhor morra. Dê-me o que é meu para que eu possa ir embora.
O pai entendeu. Cada palavra. Cada peso.
Não falou. Não conseguia falar. Apenas olhou para o filho, o menino que havia ensinado a contar estrelas, o menino cuja risada uma vez havia preenchido aquela casa silenciosa.
PAI“Você sabe o que está me pedindo?”
A mandíbula do filho se contraiu. Olhou para o chão. Então o filho respondeu: "Eu sei."
Da borda do pátio, uma figura apareceu. O filho mais velho havia voltado dos campos. Estava de pé na entrada, observando. Ouvindo.
Não disse nada.
Em sua tradição, o irmão mais velho deveria falar. Deveria dar um passo à frente, acalmar as coisas, defender a honra do pai. Mas ele não se moveu. Seu rosto permaneceu de pedra. Seus braços permaneceram cruzados.
O silêncio se estendeu como uma ferida.
Finalmente, o pai se levantou. Suas pernas pareciam fracas. Seu peito parecia oco. Olhou para o filho mais novo mais uma vez, buscando dúvida, hesitação, qualquer sinal de que aquilo não era real.
Não encontrou nada.
PAI“Então é seu.”
Virou-se e entrou na casa.
Não chorou. Ainda não.