Episódio 18 · Davi e Bate-Seba
Capítulo 9: A Morte da Criança
Chapter 9: A Morte da Criança
Os meses se passaram. Bate-Seba deu à luz um filho.
Então a criança ficou doente, exatamente como Natã havia dito. Davi suplicou a Deus. Recusou-se a comer. Deitou-se no chão a noite inteira, apertando o rosto contra o piso. Os anciãos de sua casa estavam ao seu redor e o instavam a se levantar. Ele não o fez. Ofereceram-lhe comida. Ele a empurrou para longe.
Sete dias ele jaceu ali. Sete dias de jejum, choro e súplica a Deus para que mudasse de ideia.
No sétimo dia, a criança morreu.
Os servos tinham medo de lhe contar. Sussurravam entre si: se Davi estava tão quebrantado enquanto a criança ainda estava viva, o que faria quando ouvisse que a criança havia partido?
Davi os viu sussurrando. Ele soube.
DAVI“Está morto o menino?”
SERVOS“Está morto.”— 2 Samuel 12:19
Então Davi fez algo que ninguém na sala esperava. Levantou-se do chão. Lavou o rosto. Trocou de roupa. Foi à casa do Senhor e adorou. Então foi para casa e pediu comida.
Seus servos não conseguiam entender. Perguntaram-lhe por que jejuara e chorara enquanto a criança ainda estava viva, e agora que a criança estava morta, levantava-se e comia.
DAVI“Enquanto a criança ainda vivia, jejuei e chorei. Pensei: quem sabe? O Senhor pode ter compaixão de mim e deixar a criança viver. Mas agora ele está morto. Por que jejuaria? Posso trazê-lo de volta? Eu irei a ele, mas ele não voltará para mim.”— 2 Samuel 12:22-23
Seu filho havia partido e nenhuma quantidade de jejum reverteria isso. Mas as últimas palavras carregavam algo mais profundo. Eu irei a ele. Davi acreditava que a morte não era o fim. Que um dia, além desta vida, veria seu filho novamente.
## Capítulo 10 e 11: As Consequências
Davi consolou Bate-Seba. Com o tempo, ela deu à luz outro filho. Deram-lhe o nome de Salomão. E o Senhor amou esta criança. Deus enviou recado por Natã para lhe dar um segundo nome: Jedidias, que significa "amado pelo Senhor." (2 Samuel 12:24-25)
Mesmo nos escombros, Deus estava plantando algo novo. Mas a profecia que Natã havia falado não estava terminada.
A espada nunca se afastou da casa de Davi.
Davi havia tomado várias mulheres ao longo dos anos, e seus filhos vinham de mães diferentes. Seu primogênito, Amnon, filho de Ainoã, ficou obcecado por Tamar, filha de Davi com outra mulher, Maaca. Tamar era bela, e Amnon a queria. Atraiu-a ao seu quarto sob o pretexto de doença, e quando ela veio cuidar dele, ele a forçou. Depois, jogou-a para fora e trancou a porta. (2 Samuel 13:1-18)
Quando Davi ouviu o que aconteceu, ficou furioso. Mas não fez nada.
Dois anos se passaram. Absalão, irmão de pai e mãe de Tamar, nada disse em público. Mas nunca esqueceu. Esperou até o momento certo, convidou Amnon a um banquete, e mandou seus servos matá-lo à mesa. (2 Samuel 13:28-29)
Absalão fugiu do país. Anos depois voltou, mas não como filho buscando perdão. Conseguiu para si um carro, cavalos e cinquenta homens para correr à sua frente, fazendo-se parecer real. Toda manhã ficava aos portões de Jerusalém. Quando as pessoas vinham trazer suas disputas diante do rei Davi, Absalão as parava e dizia que suas reivindicações eram válidas, mas o rei não queria ouvir o caso delas. Então dizia: se eu fosse juiz nesta terra, qualquer um com queixa poderia vir até mim e eu lhe faria justiça. (2 Samuel 15:1-6)
Fez isso por quatro anos. Lentamente, uma conversa de cada vez, voltou os corações de Israel contra seu pai. Então viajou a Hebrom, a cidade onde Davi fora coroado rei pela primeira vez, e declarou-se rei de Israel. A conspiração se fortaleceu, e o número de pessoas que seguiam Absalão aumentava. (2 Samuel 15:7-12)
Um mensageiro chegou a Davi com a notícia: o coração dos homens de Israel está com Absalão. Davi sabia que se ficasse, Absalão atacaria a cidade e passaria todos em Jerusalém ao fio da espada. Então reuniu seus servos, seus guardas e os que lhe eram leais, e fugiu de Jerusalém a pé, descalço, com a cabeça coberta, chorando enquanto subia o monte das Oliveiras. (2 Samuel 15:13-14, 30)
O rei que havia tomado tudo de um soldado leal agora tinha seu trono, sua cidade e sua família arrancados pelo próprio filho.
Quando Absalão entrou em Jerusalém, tomou o palácio para si. E por conselho de seu conselheiro, subiu ao terraço do palácio, o mesmo terraço onde Davi havia olhado pela primeira vez para baixo e visto Bate-Seba, e ali, numa tenda armada à vista de todos, deitou-se com as concubinas de Davi à vista de todo Israel. (2 Samuel 16:22)
As palavras de Natã se cumpriram à letra. O que Davi havia feito em segredo naquele terraço, Deus retribuiu naquele mesmo terraço em pleno dia.
Mas o reinado de Absalão não durou. O exército de Davi enfrentou as forças de Absalão na floresta de Efraim. Davi havia dado uma única ordem aos seus comandantes antes da batalha.
DAVI“Tratai com brandura o jovem Absalão, por amor de mim.”— 2 Samuel 18:5
Durante a luta, Absalão montava sua mula sob os galhos espessos de um grande carvalho. Seu cabelo prendeu-se nos galhos, e ele ficou suspenso no ar enquanto a mula seguia em frente. Quando a notícia chegou a Joabe, ele tomou três dardos e os enfiou no coração de Absalão enquanto ainda pendia vivo na árvore. (2 Samuel 18:9-14)
Um mensageiro foi enviado a Davi. Quando chegou, Davi fez apenas uma pergunta.
DAVI“Está bem o jovem Absalão?”
MENSAGEIRO“Sejam como aquele jovem os inimigos do rei meu senhor e todos os que se levantam contra ti para te fazer mal.”— 2 Samuel 18:32
Davi subiu ao quarto sobre o portão e chorou. Não chorou como rei lamentando um traidor. Chorou como pai lamentando seu filho.
DAVI“Meu filho Absalão, meu filho, meu filho Absalão! Quem me dera que eu morrera por ti, Absalão, meu filho, meu filho!”— 2 Samuel 18:33
O homem que outrora dançara diante do Senhor com toda a sua força agora subia aquelas escadas quebrado, sussurrando o nome do filho que tentara destruí-lo. E mesmo assim, Davi teria trocado sua própria vida para trazê-lo de volta.
Esta é a história de Davi. Um homem que amou a Deus profundamente e pecou grandemente. Um homem que recebeu misericórdia que não merecia, e suportou consequências que não pôde escapar. A espada nunca deixou sua casa. Mas Deus também não.