Episódio 11 · A História de Raquel e Lia
Capítulo 10: A Caverna e a Coroa
Chapter 10: A Caverna e a Coroa
Esaú veio com quatrocentos homens. Jacó se prostrou sete vezes ao se aproximar de seu irmão. Mas Esaú não atacou. Correu até Jacó, lançou os braços ao seu redor, e chorou. A família entrou em Canaã com segurança.
Mas a estrada para casa carregava sua própria tristeza. Perto de Belém, Raquel entrou em trabalho de parto com seu segundo filho. O parto foi difícil, e Raquel ficou mais fraca a cada momento. Com seu último suspiro, ela nomeou o menino Benoni, filho da minha tristeza. Então morreu.
Jacó enterrou Raquel ali, perto da estrada próxima a Belém. Colocou um pilar sobre seu túmulo. A mulher que ele havia amado desde o dia no poço estava morta.
Ele renomeou o menino Benjamim, filho da minha mão direita. E a casa seguiu em frente.
Lia permaneceu. Ela havia sobrevivido à irmã que tinha tudo o que ela sempre quis. Criou seus filhos. Caminhou ao lado de um marido que nunca se voltou plenamente para ela. A Escritura não registra palavras finais de Lia. Nenhuma cena no leito de morte. Nenhuma despedida.
Mas o que aconteceu décadas depois, ninguém poderia ter esperado. Jacó estava velho e morrendo no Egito. Reuniu seus filhos e lhes deu sua última instrução.
JACÓ“Sepultai-me com meus pais na Caverna de Macpela, onde repousam Abraão e Sara, onde repousam Isaque e Rebeca. Lá sepultei Lia.”
De todas as coisas que Jacó poderia ter dito em seu último suspiro, ele falou o nome dela. Não Raquel. Raquel jazia perto da estrada próxima a Belém, onde havia morrido. Mas Lia repousava entre os patriarcas e matriarcas da aliança.
E de seu filho Judá, aquele que ela nomeou não em desespero, mas em louvor, veio uma linhagem que a Escritura traça através das gerações. De Judá veio o rei Davi. E da linhagem de Davi veio Jesus Cristo.
A mulher que ninguém escolheu se tornou a mãe através de quem Deus escolheu redimir o mundo. Ela não foi vista por seu marido. Mas nunca foi não vista por Deus.